José Luís Oreiro () (Department of Economics, Universidade Federal do Paraná) Luiz Fernando Rodrigues de Paula () (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Guilherme Jonas Costa da Silva () (Department of Economics, Universidade Federal do Paraná) Rafael Quevedo do Amaral () (Department of Economics, Universidade Federal do Paraná)
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O presente artigo tem por objetivo explicar o elevado custo do capital no Brasil, apresentando algumas hipóteses a respeito do porque a taxa real de juros de curto-prazo e os spreads bancários são tão elevados. Nesse sentido, ao longo deste artigo pretendemos argumentar que o “problema do juro real” e o “problema do spread bancário” estão intimamente associados. Mais precisamente, iremos argumentar que uma causa importante do spread bancário elevado é o patamar elevado da taxa de juros de curto-prazo fixada pelo BCB. Dessa forma, o equacionamento definitivo do “problema dos juros” no Brasil, com a convergência da taxa real de juros de curto-prazo para os patamares observados nos demais países do mundo, deverá induzir uma redução expressiva do spread bancário, contribuindo assim para a redução do custo do capital na economia brasileira. Por sua vez, o “problema dos juros” decorre do fato de que operação da política monetária por parte do BCB é pouco eficaz no sentido de que a dinâmica da função de reação do BCB é tal que a taxa de juros SELIC acaba respondendo a variações da taxa nominal de câmbio. As variações do câmbio nominal, por sua vez, são um determinante importante da variação do IPCA, haja vista o peso dos preços administrados no cálculo do IPCA (30%) e o fato de que os preços administrados são, em larga medida, indexados pelo IGP-M e pelo IGP-DI, ambos extremamente sensíveis a variação da taxa nominal de câmbio. Nesse contexto, a inflação brasileira é predominantemente uma “inflação de custos” e, como tal, não deveria ser combatida por intermédio de elevações da taxa nominal de juros, mas por medidas que visassem diminuir a volatilidade da taxa de câmbio e a redução do efeito pass-through do câmbio para os preços como, por exemplo, a desindexação dos preços administrados com respeito a índices de preços que sejam muito sensíveis a variações da taxa nominal de câmbio. Além disso, deve-se ressaltar que a indexação de parte considerável da dívida pública federal pela SELIC reduz o efeito riqueza de elevações da taxa de juros, diminuindo assim o impacto de uma contração monetária sobre a taxa de inflação.
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Paper provided by Universidade Federal do Paraná, Department of Economics in its series Working Papers with number
0054.
Length: 39 pages Date of creation: 2007 Date of revision: Handle: RePEc:fup:wpaper:0054
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