O objetivo deste artigo é comparar, em âmbito teórico, as explicações marxista e pós-keynesiana para as crises financeiras. Trata-se de duas teorias que localizam fatores endógenos para a instabilidade dos sistemas financeiros. O estudo está dividido em três etapas: a determinação da taxa de juros, a compreensão do sistema financeiro, e o modelo de crise. A análise da formação da taxa de juros contrapõe o conceito marxista de capital portador de juros à formulação keynesiana da preferência pela liquidez. As concepções de sistemas financeiros revelam o papel atribuído pelas teorias ao crédito e aos bancos na dinamização da produção capitalista. Os modelos de crise analisados são a leitura da obra de Marx feita por Hilferding e, dentro da corrente pós-keynesiana, a hipótese da instabilidade financeira de Minsky. Esses modelos revelam uma diferença na escolha de cada teoria quanto aos principais condicionantes das crises, mas também possibilidades de integração. A exposição adotada pretende, além de identificar divergências e compatibilidades, a verificação da influência dos pressupostos mais abstratos de cada teoria sobre os seus modelos mais complexos.
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